Notícias

Reunião da UNESCO Avalia Avanços em Relação à Educação

Por ABONG    6 de novembro de 2001
Investir em ensino fundamental para cumprir os compromissos assumidos com a comunidade internacional na área da educação é uma das conclusões da primeira reunião do grupo de Alto Nível do programa Educação para Todos, uma iniciativa da Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O grupo tem como objetivo avaliar os compromissos políticos, a mobilização de recursos e a participação da sociedade civil e parcerias visando atingir as metas estabelecidas na Conferência Mundial de Educação, realizada em Dacar, no Senegal, em abril de 2000 (ver quadro).

Reunidos em Paris, entre os dias 29 e 31 de outubro, 28 representantes de países, agências bilaterais e multilaterais e da sociedade civil falaram sobre os avanços realizados, a atuação das agências bilaterais e multilaterais e o processo de monitoramento dos compromissos assumidos. Da sociedade civil, participaram apenas cinco organizações com direito à voz: Abong, Education International, Fawe (Fórum d'Education por les Femmes Africaines), Marcha Global contra o Trabalho Infantil e Oxfam International.



Prioridades A declaração final da reunião destaca como questões mais urgentes: as disparidades de gênero, a negligência em relação aos grupos vulneráveis e em desvantagens, como portadores de deficiências; o alto número de analfabetos; a necessidade de compreensão e aceitação da diversidade; a debilidade dos sistemas educacionais e instituições em relação à epidemia de HIV/Aids e a situação nos países em emergência, crise, pós-guerra e risco. Também definiram como urgente a necessidade de definir a qualidade educacional, seu conteúdo e resultados. De todos os países em desenvolvimento presentes, Cuba foi o único que já cumpriu todas as metas estabelecidas.

A declaração também ressalta que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 "enfatizaram a importância da educação básica universal de boa qualidade como essencial, se não suficiente, condição para um mundo mais saudável, democrático e tolerante".

O presidente da Abong, Sérgio Haddad, falando em plenário, apontou como um dos obstáculos que se apresenta no âmbito da cooperação internacional é que suas políticas, ao mesmo tempo, defendem os direitos e impedem que eles se realizem. "Se por um lado, organismos internacionais e sua cooperação defendem os direitos de cidadania da educação, por outro, programas de ajuste estrutural financiados e apoiados por estes organismos, empurram os países pobres a condições de não poder realizá-los".

Haddad também destacou que não se constrói democracia educacional sem democracia social. "Nos anos 90, a América Latina apresentou crescentes índices de concentração de renda, aumento da pobreza e aumento do desemprego. Não se pode separar o direito à educação do direito ao desenvolvimento".

Em relação aos recursos financeiros externos, Haddad destacou que novos recursos significam aumento nas dívidas dos países do "terceiro mundo". "Sem um equacionamento desta dívida, os recursos internacionais criarão mais dificuldades para os países realizarem dentro dos seus orçamentos os compromissos com a educação. Sem uma ação efetiva, em destruir as barreiras ao desenvolvimento dos países mais pobres não será possível construir a paz e a justiça social".

Comentários dos Leitores